Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de melo breyner anderson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de melo breyner anderson. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

De regresso ....



A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

sophia de melo breyner anderson


quinta-feira, 23 de julho de 2009

De um Amor Morto


De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora



Sophia de Mello Breyner Andresen


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Porque...




Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.


Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigo
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Anderson
Imagem retirada da net : desconheço o autor

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As ondas....


As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.


Sophia de Mello Breyner Andresen


Imagem retirada da internet desconheço o autor